Câncer de esôfago

O câncer de esôfago é uma doença que se origina nas células que revestem o esôfago, o tubo muscular que conduz os alimentos da boca até o estômago.

O esôfago possui cerca de 25 centímetros de comprimento e atravessa o pescoço e o tórax antes de se conectar ao estômago.

Anatomicamente, o esôfago é dividido em três porções: terço superior, terço médio e terço inferior. A maioria dos tumores surge no terço médio ou inferior.

Como surge o câncer de esôfago?

Existem dois principais tipos de câncer de esôfago: o carcinoma de células escamosas (ou carcinoma epidermoide) e o adenocarcinoma.

O carcinoma de células escamosas se desenvolve a partir das células que revestem a maior parte do esôfago e está mais frequentemente relacionado ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool.

O adenocarcinoma surge principalmente na porção inferior do esôfago, geralmente a partir de uma condição chamada esôfago de Barrett, na qual o revestimento normal do esôfago é substituído por células semelhantes às do intestino em decorrência do refluxo gastroesofágico crônico.

Além desses dois tipos, existem tumores mais raros, como tumores neuroendócrinos, linfomas, sarcomas e tumores estromais gastrointestinais (GISTs).

Fatores de risco do câncer de esôfago

Os principais fatores de risco para o carcinoma de células escamosas são tabagismo, consumo excessivo de álcool, ingestão frequente de bebidas muito quentes e algumas doenças que causam lesões crônicas no esôfago.

Os principais fatores de risco para o adenocarcinoma incluem doença do refluxo gastroesofágico, esôfago de Barrett, obesidade, tabagismo e sexo masculino.

Outros fatores de risco não modificáveis incluem envelhecimento, antecedente pessoal de câncer de cabeça e pescoço ou de esôfago e algumas síndromes hereditárias raras.

O câncer de esôfago pode ser prevenido?

É possível reduzir o risco de câncer de esôfago alterando os fatores de risco modificáveis: interromper o tabagismo, reduzir ou evitar o consumo de álcool, manter peso corporal saudável e tratar adequadamente a doença do refluxo gastroesofágico quando indicada.

Pacientes com diagnóstico de esôfago de Barrett devem realizar acompanhamento periódico com endoscopia digestiva alta, pois essa condição aumenta o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma. Não existe rastreamento para a população em geral.

Quais os sinais e sintomas do câncer de esôfago?

Os principais sinais e sintomas do câncer de esôfago são dificuldade para engolir alimentos (disfagia), perda de peso não intencional, dor ou desconforto ao engolir, dor no peito, regurgitação dos alimentos, rouquidão, tosse persistente e fraqueza.

Nos estágios iniciais, o câncer de esôfago pode não causar sintomas, motivo pelo qual muitos pacientes são diagnosticados quando a doença já se encontra mais avançada.

Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de esôfago?

O diagnóstico é feito por meio de uma biópsia durante a realização de uma endoscopia digestiva alta.

Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras de biópsia para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados no adenocarcinoma de esôfago são HER-2, deficiência das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI), expressão de PD-L1 e CLDN18.2. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.

Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de esôfago incluem, dentre outros, tomografia computadorizada e PET scan. A ultrassonografia endoscópica também pode ser utilizada para avaliar a profundidade da invasão do tumor e o comprometimento dos gânglios linfáticos próximos.

Como se trata o câncer de esôfago?

O tratamento do câncer de esôfago baseia-se principalmente no estágio (extensão) da doença, mas outros fatores também podem ser importantes.

Quando o câncer é muito superficial, restrito às camadas mais internas do esôfago, pode ser removido por ressecção endoscópica em casos selecionados.

Tumores localizados, porém mais extensos, geralmente são tratados com cirurgia para retirada parcial ou total do esôfago, juntamente com os gânglios linfáticos próximos.

Pacientes com doença localizada e tumores mais avançados costumam receber tratamento antes da cirurgia (terapia neoadjuvante), que pode incluir quimioterapia isolada ou quimioterapia associada à radioterapia, de acordo com as características de cada caso.

O tratamento do câncer de esôfago em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui quimioterapia associada ou não à imunoterapia e às terapias-alvo. Casos selecionados com número limitado de metástases podem ser candidatos a tratamento local, como cirurgia ou radioterapia.

Pacientes portadores de deficiência das enzimas de reparo do DNA ou instabilidade de microssatélites apresentam benefício importante com imunoterapia. Outros biomarcadores, como HER-2, PD-L1 e CLDN18.2, permitem a utilização de tratamentos personalizados em pacientes selecionados.

Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de esôfago?

Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais, endoscópicos ou de imagem. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio inicial do câncer, do tratamento realizado e do risco de recorrência.

O tratamento contra o câncer pode causar efeitos colaterais. Alguns podem durar poucos dias ou semanas, enquanto outros podem persistir por meses ou anos. Pacientes submetidos à cirurgia podem apresentar alterações na alimentação e necessitar de acompanhamento nutricional durante a recuperação. As consultas médicas são um momento para esclarecer dúvidas, identificar precocemente possíveis complicações e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações relacionados ao tratamento e à qualidade de vida.