O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, é uma doença que se origina nas células que revestem internamente o estômago.
O estômago é um órgão muscular localizado entre o esôfago e o intestino delgado, responsável por armazenar os alimentos e iniciar o processo de digestão.
Anatomicamente, o estômago é dividido em diferentes regiões: cárdia (próxima ao esôfago), fundo, corpo, antro e piloro, que se conecta ao duodeno, a primeira porção do intestino delgado.
Como surge o câncer de estômago?
A maioria dos cânceres de estômago se desenvolve lentamente ao longo de muitos anos, a partir de alterações progressivas na mucosa gástrica.
Em muitos casos, essas alterações começam com uma inflamação crônica da mucosa do estômago, que pode evoluir para gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, câncer.
A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é a principal causa dessas alterações e está relacionada a grande parte dos casos de adenocarcinoma gástrico.
A maioria dos cânceres de estômago são adenocarcinomas. Outros tipos de tumores menos comuns incluem linfomas, tumores estromais gastrointestinais (GISTs), tumores neuroendócrinos e sarcomas.
Fatores de risco do câncer de estômago
Os principais fatores de risco para o câncer de estômago incluem a infecção pelo Helicobacter pylori, tabagismo, obesidade, dieta rica em alimentos salgados, defumados ou conservados e pobre em frutas e vegetais frescos.
Outros fatores de risco não modificáveis incluem envelhecimento, sexo masculino, antecedente pessoal ou familiar de câncer gástrico, gastrite atrófica, anemia perniciosa e síndromes hereditárias, como a síndrome do câncer gástrico difuso hereditário e a síndrome de Lynch.
O câncer de estômago pode ser prevenido?
É possível reduzir o risco de câncer de estômago tratando a infecção pelo Helicobacter pylori quando indicada, interrompendo o tabagismo, mantendo peso saudável e adotando uma alimentação rica em frutas, vegetais e alimentos frescos, com redução do consumo de alimentos salgados, defumados e processados.
Ao contrário do câncer colorretal, não existe rastreamento populacional para câncer de estômago na maioria dos países, incluindo o Brasil. Entretanto, pessoas com alto risco, como portadores de síndromes hereditárias ou com antecedentes familiares importantes, podem se beneficiar de acompanhamento individualizado com endoscopia digestiva alta.
Quais os sinais e sintomas do câncer de estômago?
Os principais sinais e sintomas do câncer de estômago incluem dor ou desconforto abdominal, sensação de estômago cheio após pequenas refeições, perda do apetite, náuseas, vômitos, perda de peso não intencional, anemia, fadiga e sangramento digestivo, que pode se manifestar por vômitos com sangue ou fezes enegrecidas.
Nos estágios iniciais, o câncer de estômago frequentemente não causa sintomas ou provoca manifestações inespecíficas.
Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de estômago?
O diagnóstico é feito por meio de uma biópsia realizada durante a endoscopia digestiva alta.
Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras de biópsia para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados no câncer de estômago são HER-2, deficiência das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI), expressão de PD-L1 e CLDN18.2. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.
Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de estômago incluem, dentre outros, tomografia computadorizada e, em situações específicas, ressonância magnética ou PET scan. Em alguns pacientes também é indicada a laparoscopia diagnóstica para verificar a presença de metástases no peritônio, que podem não ser identificadas pelos exames de imagem.
Como se trata o câncer de estômago?
O tratamento do câncer de estômago baseia-se principalmente no estágio (extensão) da doença, mas outros fatores também podem ser importantes.
Quando o câncer é muito superficial e restrito às camadas mais internas do estômago, pode ser removido por ressecção endoscópica em casos selecionados.
Tumores maiores ou que invadem camadas mais profundas geralmente são tratados com cirurgia para retirada parcial ou total do estômago, juntamente com os gânglios linfáticos próximos.
Pacientes com doença localizada, porém mais extensa, frequentemente recebem quimioterapia antes e após a cirurgia (tratamento perioperatório), com o objetivo de aumentar as chances de cura. Em situações específicas, pode ser indicada quimiorradioterapia.
O tratamento do câncer de estômago em estágio avançado, quando a doença se disseminou para outros órgãos ou tecidos, normalmente inclui quimioterapia associada ou não a terapias-alvo e imunoterapia, conforme as características do tumor. Casos selecionados com número limitado de metástases podem ser candidatos à cirurgia ou a outras terapias locais.
Pacientes portadores de deficiência das enzimas de reparo do DNA ou instabilidade de microssatélites apresentam benefício importante com imunoterapia, especialmente na doença avançada. Outros biomarcadores, como HER-2, PD-L1 e CLDN18.2, também permitem tratamentos personalizados com terapias específicas.
Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de estômago?
Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá realizar consultas periódicas com seu oncologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico avaliará a recuperação, investigará sinais de recorrência da doença e poderá solicitar exames laboratoriais, endoscópicos ou de imagem. A frequência das consultas e exames dependerá do estágio inicial do câncer, do tratamento realizado e do risco de recorrência.
O tratamento contra o câncer pode causar efeitos colaterais. Alguns desaparecem em poucos dias ou semanas, enquanto outros podem persistir por meses ou anos. Após a cirurgia, também podem ocorrer alterações na digestão e na absorção de nutrientes, tornando necessário o acompanhamento nutricional e, em alguns casos, a reposição de vitaminas, como a vitamina B12. As consultas de acompanhamento são uma oportunidade para esclarecer dúvidas e discutir qualquer sintoma ou preocupação relacionada ao tratamento e à qualidade de vida.



