Câncer de intestino (cólon e reto)

O câncer de cólon e reto, também chamado de câncer colorretal, são frequentemente agrupados porque têm muitas características em comum.

O cólon e o reto constituem o intestino grosso, um tubo muscular com cerca de 1,5 metros de comprimento.

A primeira parte do cólon é chamada de cólon ascendente. A segunda, de cólon transverso. A terceira, de cólon descendente. A quarta, de cólon sigmoide, que se junta ao reto, que então se conecta ao ânus.

Como surge o câncer colorretal?

A maioria dos cânceres colorretais surgem de pólipos, crescimentos no revestimento interno do cólon ou reto.

Os pólipos são bastante comuns, especialmente à medida que envelhecemos. A maioria dos pólipos são benignos ou não cancerígenos.

Alguns tipos de pólipos podem se transformar em câncer ao longo do tempo (geralmente ao longo de muitos anos). A chance de um pólipo se transformar em câncer depende do tipo de pólipo.

Existem diferentes tipos de pólipos: pólipos adenomatosos (adenomas), pólipos hiperplásicos e inflamatórios, pólipos serrilhados sésseis e adenomas serrilhados tradicionais.

A maioria dos cânceres colorretais são adenocarcinomas. Outros tipos de tumores menos comuns incluem: tumores carcinoides, tumores estromais gastrointestinais (GISTs), linfomas e sarcomas.

Fatores de risco do câncer colorretal

Mais da metade de todos os cânceres colorrectais estão ligados a fatores de risco relacionados ao estilo de vida e que podem ser modificáveis, como excesso de peso corporal, diabetes mellitus tipo 2, dieta rica em carnes vermelhas e processadas, tabagismo e consumo de álcool.

Outros fatores de risco não modificáveis incluem envelhecimento, antecedente pessoal ou familiar de pólipos ou câncer colorretal, doença inflamatória intestinal e síndromes hereditárias (como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar).

O câncer colorretal pode ser prevenido?

É possível reduzir o risco de câncer colorretal alterando os fatores de risco modificáveis: reduzir o excesso de peso corporal; consumir dietas ricas em vegetais, frutas e grãos integrais e pobres em carnes vermelhas e processadas; praticar atividade física; interromper o consumo de álcool e parar de fumar.

Para a população em geral, está indicado o rastreamento para o câncer colorretal a partir dos 45 anos. Vários tipos de testes podem ser usados: teste de sangue oculto nas fezes, teste imunoquímico fecal, teste de DNA ou RNA fecal, colonoscopia, sigmoidoscopia ou colonografia. Indíviduos com maior risco de câncer colorretal devem iniciar o rastreamento mais precocemente.

Quais os sinais e sintomas do câncer colorretal?

Os principais sinais e sintomas do câncer colorretal são: mudança do hábito intestinal (como diarreia, prisão de ventre ou afilamento das fezes), sangue nas fezes (sangue vivo ou fezes enegrecidas), dor abdominal, fraqueza ou fadiga e perda de peso não intencional.

Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer colorretal?

O diagnóstico é feito por meio de uma biópsia durante a realização de uma colonoscopia.

Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras de biópsias para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados no câncer colorretal são as alterações das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI) e, na doença mais avançada, o KRAS, NRAS, BRAF e HER-2. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.

Exames de imagem para detectar o câncer colorretal incluem, dentre outros, a tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A tomografia por emissão de pósitrons (ou PET scan) é geralmente realizada para verificar se o câncer se disseminou para outras partes do corpo, além do cólon ou do reto.

Como se trata o câncer de cólon?

O tratamento do câncer de cólon baseia-se principalmente no estágio (extensão) do câncer, mas outros fatores também podem ser importantes.

Quando o câncer colorretal é muito superficial, sem invadir tecidos profundos, pode ser removido através de ressecção local por colonoscopia.

Tumores maiores, quando invadem tecidos mais profundos, são removidos através de cirurgia com seção do segmento do cólon, juntamente com os gânglios linfáticos próximos.

Pacientes que apresentam fatores de risco para recorrência do câncer, principalmente o comprometimento de gânglios linfáticos, recebem quimioterapia após a cirurgia (chamada tratamento adjuvante).

O tratamento do câncer de cólon em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui a quimioterapia com ou sem terapias-alvo. Casos com número de metástases limitado podem ser candidatos à remoção cirúrgica ou a terapias locais, como ablação ou radioterapia.

Pacientes portadores de deficiência de enzimas de reparo do pareamento do DNA ou instabilidade de microssatélites podem ter abordagem distinta quando a doença for localizada. E quando esses pacientes se apresentam com doença mais avançada eles se beneficiam com o tratamento por imunoterapia.

Como se trata o câncer de reto?

O tratamento do câncer de reto difere do câncer de cólon principalmente devido à localização e à anatomia. O cólon é flexível, enquanto o reto é fixo na pelve, próximo do ânus e de outros órgãos. Essas diferenças mudam a técnica cirúrgica e, para alguns casos, exigem tratamento com radioterapia.

Para estágios inicias a ressecção endoscópica ou cirúrgica podem ser suficientes para tratar o câncer de reto.

Pacientes com doença localizada, porém mais extensa, ou que se aproxima do esfíncter do ânus podem ser candidatos a uma abordagem antes da cirurgia chamada terapia neoadjuvante. Ela inclui a radioterapia e a quimioterapia administradas em diferentes regimes, de acordo com cada caso.

Pacientes com câncer de reto e portadores de deficiência de enzimas de reparo do pareamento do DNA ou instabilidade de microssatélites são tratados inicialmente com a imunoterapia pela alta chance de regressão tumoral somente com essa abordagem.

Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer colorretal?

Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico oncologista avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais ou de imagem. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio do câncer inicial e do risco dele voltar.

O tratamento contra o câncer pode ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar meses ou anos. Alguns efeitos colaterais podem nem aparecer até meses após o término do tratamento. As consultas médicas são um momento para os pacientes esclarecer dúvidas e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações que ele tenha.