Câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é uma doença que se origina nas células do pâncreas, um órgão localizado profundamente no abdome, atrás do estômago.

O pâncreas tem aproximadamente 15 centímetros de comprimento e desempenha duas funções principais: produzir enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos e hormônios, como a insulina, que regulam os níveis de açúcar no sangue.

Anatomicamente, o pâncreas é dividido em cabeça, colo, corpo e cauda. A maioria dos tumores surge na cabeça do pâncreas.

Como surge o câncer de pâncreas?

A maioria dos cânceres de pâncreas se desenvolve lentamente ao longo de muitos anos, a partir de alterações progressivas nas células que revestem os ductos pancreáticos.

Essas alterações podem passar por diferentes estágios antes de se transformarem em câncer invasivo. As principais lesões precursoras são a neoplasia intraepitelial pancreática (PanIN), a neoplasia mucinosa papilar intraductal (IPMN) e a neoplasia cística mucinosa (MCN).

A maioria dos cânceres de pâncreas são adenocarcinomas ductais. Outros tipos de tumores menos comuns incluem tumores neuroendócrinos, carcinomas acinares, pancreatoblastomas e linfomas.

Fatores de risco do câncer de pâncreas

Os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas incluem tabagismo, obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e pancreatite crônica.

Outros fatores de risco não modificáveis incluem envelhecimento, antecedente pessoal ou familiar de câncer de pâncreas, pancreatite hereditária e síndromes hereditárias, como mutações nos genes BRCA1, BRCA2, PALB2, ATM, CDKN2A, STK11 (síndrome de Peutz-Jeghers) e síndrome de Lynch.

O câncer de pâncreas pode ser prevenido?

É possível reduzir o risco de câncer de pâncreas alterando os fatores de risco modificáveis: interromper o tabagismo, manter peso corporal saudável, praticar atividade física regularmente e controlar adequadamente o diabetes mellitus quando presente.

Não existe rastreamento para a população em geral. Entretanto, indivíduos com alto risco de câncer de pâncreas, principalmente aqueles com síndromes hereditárias ou forte histórico familiar, podem ser candidatos a programas de rastreamento com ressonância magnética e ultrassonografia endoscópica em centros especializados.

Quais os sinais e sintomas do câncer de pâncreas?

Os principais sinais e sintomas do câncer de pâncreas são dor abdominal, dor nas costas, perda de peso não intencional, perda do apetite, fadiga, náuseas e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), especialmente quando o tumor está localizado na cabeça do pâncreas.

Outros sinais podem incluir urina escura, fezes claras, coceira na pele, diabetes de início recente e episódios de pancreatite sem causa aparente.

Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de pâncreas?

O diagnóstico é feito por meio de uma biópsia, geralmente obtida durante uma ultrassonografia endoscópica com punção por agulha fina ou, em alguns casos, por biópsia guiada por tomografia computadorizada.

Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras da biópsia para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados no câncer de pâncreas incluem alterações nos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2, deficiência das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI) e fusões do gene NTRK. Além disso, recomenda-se o teste genético germinativo para todos os pacientes com adenocarcinoma de pâncreas. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.

Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de pâncreas incluem, dentre outros, tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET scan em situações selecionadas. A ultrassonografia endoscópica também pode ser utilizada para complementar a avaliação do tumor.

Como se trata o câncer de pâncreas?

O tratamento do câncer de pâncreas baseia-se principalmente no estágio (extensão) do câncer, mas outros fatores também podem ser importantes.

Quando o tumor é localizado e pode ser completamente removido, o tratamento é baseado na cirurgia, seguida ou precedida por quimioterapia, de acordo com as características de cada caso.

Pacientes com tumores localmente avançados ou que envolvem vasos sanguíneos importantes podem receber quimioterapia antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante), com o objetivo de aumentar as chances de ressecção completa.

Pacientes que apresentam fatores de risco para recorrência do câncer recebem quimioterapia após a cirurgia (chamada tratamento adjuvante).

O tratamento do câncer de pâncreas em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui quimioterapia. Casos com número limitado de metástases podem, em situações muito selecionadas, ser candidatos a abordagens locais ou cirúrgicas.

Pacientes portadores de deficiência das enzimas de reparo do DNA ou instabilidade de microssatélites podem se beneficiar do tratamento com imunoterapia. Já pacientes com mutações em BRCA1, BRCA2 ou PALB2 podem se beneficiar de tratamentos personalizados, incluindo quimioterapia baseada em platina e, em situações específicas, inibidores de PARP.

Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de pâncreas?

Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico oncologista avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais ou de imagem. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio do câncer inicial e do risco de recorrência.

O tratamento contra o câncer pode ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar meses ou anos. Pacientes submetidos à cirurgia podem apresentar alterações na digestão e no controle da glicemia, podendo necessitar de reposição de enzimas pancreáticas e acompanhamento nutricional. As consultas médicas são um momento para esclarecer dúvidas e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações relacionados ao tratamento e à qualidade de vida.