O câncer de próstata é uma doença que se origina nas células da próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino.
A próstata está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, envolvendo a porção inicial da uretra, o canal por onde a urina é eliminada.
Sua principal função é produzir parte do líquido que compõe o sêmen, contribuindo para a nutrição e o transporte dos espermatozoides.
Como surge o câncer de próstata?
A maioria dos cânceres de próstata se desenvolve lentamente ao longo de muitos anos, a partir de alterações progressivas nas células da glândula prostática.
Em muitos casos, pequenos focos de câncer permanecem restritos à próstata durante anos e podem nunca causar sintomas ou comprometer a saúde do paciente.
A grande maioria dos cânceres de próstata são adenocarcinomas. Outros tipos de tumores mais raros incluem carcinomas neuroendócrinos, carcinomas de pequenas células, carcinomas ductais, sarcomas e linfomas.
Fatores de risco do câncer de próstata
Os principais fatores de risco para o câncer de próstata incluem envelhecimento, antecedente familiar de câncer de próstata e ancestralidade africana.
Outros fatores de risco incluem mutações hereditárias, principalmente nos genes BRCA2, BRCA1, ATM, CHEK2 e nas síndromes relacionadas aos genes de reparo do DNA, como a síndrome de Lynch. Obesidade também pode estar associada a formas mais agressivas da doença.
O câncer de próstata pode ser prevenido?
Não existe uma forma comprovada de prevenir o câncer de próstata.
Entretanto, manter peso corporal saudável, praticar atividade física regularmente, não fumar e adotar uma alimentação equilibrada podem contribuir para a saúde geral e reduzir o risco de diversas doenças.
O rastreamento do câncer de próstata deve ser individualizado, após discussão entre o paciente e o médico sobre os possíveis benefícios e riscos. Ele geralmente é realizado por meio da dosagem do antígeno prostático específico (PSA) no sangue e do exame de toque retal. Homens com maior risco, como aqueles com forte histórico familiar ou mutações hereditárias, podem iniciar essa avaliação mais precocemente.
Quais os sinais e sintomas do câncer de próstata?
Nos estágios iniciais, o câncer de próstata frequentemente não causa sintomas.
Quando presentes, os principais sinais e sintomas incluem dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, aumento da frequência urinária, sangue na urina ou no sêmen e dor ao urinar. Em casos mais avançados, podem ocorrer perda de peso não intencional, fadiga e dor óssea quando há disseminação da doença para os ossos.
Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de próstata?
A suspeita do câncer de próstata geralmente surge após alteração do PSA, do exame de toque retal ou de exames de imagem.
O diagnóstico é confirmado por meio de uma biópsia da próstata, habitualmente guiada por ultrassonografia, muitas vezes após realização de ressonância magnética multiparamétrica da próstata.
Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras de biópsia para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados incluem alterações nos genes BRCA1, BRCA2, ATM e outros genes relacionados ao reparo do DNA, deficiência das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI) e, em alguns casos, testes para alterações no gene CDK12. Além disso, recomenda-se avaliação genética germinativa para pacientes com doença avançada ou forte história familiar. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.
Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de próstata incluem, dentre outros, ressonância magnética, tomografia computadorizada e cintilografia óssea. Atualmente, o PET scan com PSMA tornou-se um dos principais exames para avaliar a extensão da doença em pacientes selecionados.
Como se trata o câncer de próstata?
O tratamento do câncer de próstata baseia-se principalmente no estágio (extensão) do câncer, no risco de progressão da doença e nas condições clínicas do paciente.
Pacientes com tumores de baixo risco podem ser candidatos à vigilância ativa, estratégia que consiste em acompanhamento rigoroso, com o objetivo de evitar ou adiar tratamentos desnecessários.
Tumores localizados podem ser tratados com cirurgia para retirada da próstata (prostatectomia radical) ou radioterapia, com resultados semelhantes em muitos casos.
Pacientes com doença localizada de maior risco frequentemente recebem radioterapia associada à terapia de privação androgênica (bloqueio hormonal). Em alguns casos, também podem ser utilizados novos agentes hormonais.
O tratamento do câncer de próstata em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui terapia de privação androgênica associada a novos agentes hormonais, quimioterapia ou radiofármacos, de acordo com as características de cada caso. Pacientes portadores de alterações nos genes de reparo do DNA podem se beneficiar de tratamentos personalizados, como os inibidores de PARP.
Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de próstata?
Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista e, em muitos casos, também com seu urologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais, principalmente a dosagem do PSA, além de exames de imagem quando necessário. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio inicial do câncer, do tratamento realizado e do risco de recorrência.
O tratamento contra o câncer pode ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar meses ou anos. Dependendo do tratamento realizado, podem ocorrer alterações urinárias, intestinais, disfunção erétil, diminuição da libido, ondas de calor e redução da massa óssea e muscular. As consultas médicas são um momento para os pacientes esclarecer dúvidas e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações relacionados ao tratamento e à qualidade de vida.



