O câncer de rim é uma doença que se origina nas células do rim, órgão responsável por filtrar o sangue, eliminar substâncias tóxicas e produzir a urina.

Os rins são dois órgãos localizados na parte posterior do abdome, um de cada lado da coluna vertebral.

Além da produção da urina, os rins desempenham funções importantes no controle da pressão arterial, na produção de hormônios e no equilíbrio de líquidos e minerais do organismo.

Como surge o câncer de rim?

A maioria dos cânceres de rim se desenvolve a partir de alterações nas células dos túbulos renais, pequenas estruturas responsáveis pela filtração do sangue.

Essas alterações costumam ocorrer ao longo de muitos anos e podem levar ao crescimento descontrolado das células.

A maioria dos cânceres de rim são carcinomas de células renais. Existem diferentes subtipos, sendo os mais comuns o carcinoma de células claras, o carcinoma papilífero e o carcinoma cromófobo. Outros tumores menos frequentes incluem carcinoma dos ductos coletores, carcinoma medular renal, angiomiolipoma epitelioide e sarcomas.

Fatores de risco do câncer de rim

Os principais fatores de risco para o câncer de rim incluem tabagismo, obesidade, hipertensão arterial e doença renal crônica.

Outros fatores de risco não modificáveis incluem envelhecimento, sexo masculino, antecedente familiar de câncer de rim e síndromes hereditárias, como a síndrome de von Hippel-Lindau, síndrome de Birt-Hogg-Dubé, leiomiomatose hereditária e carcinoma de células renais (HLRCC) e esclerose tuberosa.

O câncer de rim pode ser prevenido?

É possível reduzir o risco de câncer de rim alterando os fatores de risco modificáveis: interromper o tabagismo, manter peso corporal saudável, praticar atividade física regularmente e controlar adequadamente a pressão arterial.

Atualmente, não existe rastreamento recomendado para a população em geral. Indivíduos com síndromes hereditárias ou risco elevado devem ser acompanhados de forma individualizada.

Quais os sinais e sintomas do câncer de rim?

Nos estágios iniciais, o câncer de rim frequentemente não causa sintomas e pode ser descoberto incidentalmente durante exames realizados por outros motivos.

Quando presentes, os principais sinais e sintomas incluem sangue na urina, dor na região lombar ou no flanco, massa palpável no abdome, fadiga, perda de peso não intencional, febre persistente e anemia. Em casos mais avançados, podem ocorrer dor óssea, tosse ou falta de ar quando há disseminação da doença para outros órgãos.

Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de rim?

O diagnóstico do câncer de rim geralmente é suspeitado por exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada.

Em muitos casos, o diagnóstico é confirmado após a retirada cirúrgica do tumor. Quando há suspeita de doença avançada ou quando o tratamento inicial não será cirúrgico, pode ser realizada biópsia do tumor.

Além do diagnóstico, outros testes podem ser realizados nas amostras do tumor para identificação de biomarcadores. Em situações selecionadas, principalmente em pacientes jovens, com tumores bilaterais, múltiplos ou história familiar, recomenda-se investigação de alterações hereditárias em genes como VHL, MET, FH, FLCN, SDHB e TSC1/TSC2. Esses biomarcadores podem auxiliar na definição do tratamento personalizado e na identificação de síndromes hereditárias.

Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de rim incluem, dentre outros, tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome e da pelve. A tomografia do tórax é frequentemente realizada para avaliar possível disseminação da doença para os pulmões. Em situações específicas, outros exames de imagem podem ser necessários.

Como se trata o câncer de rim?

O tratamento do câncer de rim baseia-se principalmente no estágio (extensão) do câncer, mas outros fatores também podem ser importantes.

Quando o tumor é pequeno e restrito ao rim, o tratamento de escolha geralmente é a cirurgia para retirada apenas do tumor (nefrectomia parcial), preservando o restante do rim sempre que possível.

Tumores maiores ou com localização desfavorável podem exigir a retirada completa do rim (nefrectomia radical), frequentemente associada à remoção de tecidos adjacentes quando necessário.

Pacientes com maior risco de recorrência após a cirurgia podem ser candidatos ao tratamento adjuvante com imunoterapia.

O tratamento do câncer de rim em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui imunoterapia, terapias-alvo ou a combinação dessas abordagens. Em pacientes selecionados, a retirada cirúrgica do tumor primário ou de metástases também pode fazer parte do tratamento.

Pacientes portadores de determinadas alterações moleculares ou síndromes hereditárias podem ser candidatos a terapias-alvo específicas, de acordo com as características de cada caso.

Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de rim?

Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista e, em muitos casos, também com seu urologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais para avaliar a função renal, além de exames de imagem para detectar possível recorrência da doença. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio inicial do câncer, do tratamento realizado e do risco de recorrência.

O tratamento contra o câncer pode ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar meses ou anos. Dependendo do tratamento realizado, podem ocorrer redução da função renal, hipertensão arterial, fadiga e efeitos relacionados à imunoterapia ou às terapias-alvo. As consultas médicas são um momento para os pacientes esclarecer dúvidas e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações relacionados ao tratamento e à qualidade de vida.