O câncer de vesícula biliar é uma doença que se origina nas células que revestem internamente a vesícula biliar.
A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado, responsável por armazenar e concentrar a bile produzida pelo fígado, liberando-a no intestino delgado durante a digestão dos alimentos.
A bile é transportada da vesícula até o intestino por meio dos ductos biliares, que fazem parte das vias biliares.
Como surge o câncer de vesícula biliar?
A maioria dos cânceres de vesícula biliar se desenvolve lentamente ao longo de muitos anos, a partir de alterações progressivas nas células que revestem a parede da vesícula.
Em muitos casos, essas alterações estão relacionadas à inflamação crônica da vesícula biliar, frequentemente causada pela presença de cálculos (pedras na vesícula).
A maioria dos cânceres de vesícula biliar são adenocarcinomas. Outros tipos de tumores menos comuns incluem carcinomas escamosos, carcinomas adenoescamosos, carcinomas neuroendócrinos, sarcomas e linfomas.
Fatores de risco do câncer de vesícula biliar
Os principais fatores de risco para o câncer de vesícula biliar incluem cálculos biliares, inflamação crônica da vesícula (colecistite crônica), vesícula em porcelana, pólipos da vesícula maiores que 1 cm e anomalias da junção pancreatobiliar.
Outros fatores de risco incluem envelhecimento, sexo feminino, obesidade, diabetes mellitus tipo 2, tabagismo, infecção crônica por *Salmonella typhi* e antecedente familiar de câncer de vesícula biliar.
O câncer de vesícula biliar pode ser prevenido?
É possível reduzir o risco de câncer de vesícula biliar mantendo peso corporal saudável, praticando atividade física regularmente, controlando o diabetes mellitus e interrompendo o tabagismo.
Não existe rastreamento para a população em geral. Entretanto, pacientes com fatores de alto risco, como vesícula em porcelana ou pólipos maiores que 1 cm, podem ser candidatos à retirada preventiva da vesícula biliar (colecistectomia), de acordo com avaliação médica.
Quais os sinais e sintomas do câncer de vesícula biliar?
Nos estágios iniciais, o câncer de vesícula biliar frequentemente não causa sintomas e pode ser descoberto de forma incidental após uma cirurgia para retirada da vesícula por cálculos biliares.
Quando presentes, os principais sinais e sintomas incluem dor no lado direito do abdome, náuseas, vômitos, perda de peso não intencional, perda do apetite, fadiga, icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) e aumento do volume abdominal.
Como fazer o diagnóstico e o estadiamento do câncer de vesícula biliar?
O diagnóstico pode ser feito após a análise da vesícula retirada durante uma colecistectomia ou por meio de uma biópsia obtida por punção guiada por exames de imagem, quando a doença é identificada antes da cirurgia.
Além do diagnóstico, outros testes são realizados nas amostras de biópsia para identificação de biomarcadores. Os mais frequentemente utilizados no câncer de vesícula biliar incluem alterações em HER-2, BRAF, fusões do gene NTRK, deficiência das enzimas de reparo do DNA (MMR) ou instabilidade de microssatélites (MSI) e, em alguns casos, alterações em RET. Esses biomarcadores são essenciais para definir o tratamento personalizado.
Exames de imagem para detectar e estadiar o câncer de vesícula biliar incluem, dentre outros, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética com colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) e PET scan em situações selecionadas.
Como se trata o câncer de vesícula biliar?
O tratamento do câncer de vesícula biliar baseia-se principalmente no estágio (extensão) do câncer, mas outros fatores também podem ser importantes.
Quando o tumor é identificado em estágio inicial e restrito à parede da vesícula, a cirurgia pode ser suficiente para o tratamento.
Tumores que invadem tecidos mais profundos geralmente necessitam de cirurgia mais extensa, incluindo retirada de parte do fígado adjacente e dos gânglios linfáticos próximos.
Pacientes que apresentam fatores de risco para recorrência do câncer recebem quimioterapia após a cirurgia (chamada tratamento adjuvante).
O tratamento do câncer de vesícula biliar em estágio avançado, ou seja, quando o câncer se disseminou para outros órgãos e tecidos, normalmente inclui quimioterapia associada ou não à imunoterapia. Pacientes que apresentam alterações moleculares específicas podem se beneficiar de terapias-alvo personalizadas.
Quais são os cuidados de acompanhamento após o tratamento do câncer de vesícula biliar?
Após a conclusão do tratamento, o paciente deverá fazer consultas de acompanhamento com seu oncologista por muitos anos. Durante essas consultas, o médico oncologista avaliará se o paciente apresenta algum problema e poderá solicitar exames laboratoriais ou de imagem. A frequência das consultas e exames de acompanhamento dependerá do estágio inicial do câncer, do tratamento realizado e do risco de recorrência.
O tratamento contra o câncer pode ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar meses ou anos. Pacientes submetidos à cirurgia extensa podem necessitar de acompanhamento nutricional e monitorização da função hepática. As consultas médicas são um momento para esclarecer dúvidas e conversar sobre quaisquer problemas ou preocupações relacionados ao tratamento e à qualidade de vida.



